quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Castelo de Vide


Nada é mais revigorante que um passeio pelo nosso Alentejo, em pleno inverno e num dia frio que nos gelava as mãos. O sol estava um pouco envergonhado.


Primeira paragem: Castelo de Vide, no Alto Alentejo.


A situação geográfica deu-lhe a beleza da paisagem, o ar puro das serras e as suas nascentes de águas puras com propriedades medicinais mas, foi-lhe madrasta na história. A sua posição privilegiada na colina e a proximidade à fronteira conferia-lhe um carácter estratégico e defensivo muito cobiçado pelos exércitos. Castelo de Vide foi conquistada aos árabes, em 1148, por D. Afonso Henriques. Foi objeto de desavença entre o Rei D.Dinis e o seu meio- irmão e rival D. Afonso Sanches, que lutaram pela sua posse e foi palco de muitas batalhas.

Atualmente é uma pacata vila alentejana com um património arquitetónico muito rico e variado com os seus solares dos séculos XVII e XVIII com as cantarias esculpidas e gradeamentos em ferro forjado.





Esta é a imagem identificativa de Castelo de Vide, a velhinha Fonte, o ex-libris da cidade considerado imóvel de interesse público pela sua arquitetura singular construída com mármores alentejanos. Mandada construir no século XVI no local onde existia um nascente de água potável foi à sua volta que nasceu o bairro judeu.



Perto do castelo as ruas estreitas sobem e descem em desníveis acentuados. Escadas levam-nos a becos e a outras ruas onde o casario branco mostra com orgulho as suas janelas decoradas com flores e as suas portas ogivais dos séculos XIV e XVI.







Enfim, um agradável passeio que abre o apetite para os deliciosos e substanciais pratos típicos desta zona. 


Já de noite e a caminho de uma lareira bem quentinha… e a preparar outro dia.




quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O que visitar em Córdoba (o passeio continua)

Continuando o nosso passeio por Córdoba contornámos parte da muralha que ainda subsiste e que, em tempos, envolvia toda a cidade até ao Alcazar.


A muralha ainda mantém algumas das antigas portas, cada uma dedicada a uma figura histórica. Nesta encontramos a estátua de Averroes o grande filósofo e médico muçulmano andaluz contemporâneo do também grande filósofo religioso e médico judeu nascido em Córdoba, Maimónides. Estes dois homens foram considerados os grandes pensadores do século XII. Numa altura de intolerância religiosa Averroes e Maimónides consolidaram uma amizade devotada à ciência.



Pátios floridos de Córdoba



Pátios Cordobeses.

A tradição dos pátios já vem do tempo dos romanos. Em regiões quentes e secas como a Andaluzia e como proteção contra o calor as casas eram construídas em redor de um pátio interior, onde geralmente havia uma fonte ou um poço e onde as famílias se reuniam. As portas destas casas dão para um átrio que visto de fora parece estar às escuras. E tudo tem uma explicação... Nos tempos em que as mulheres praticamente não saíam de casa o átrio proporcionava-lhes uma vista desafogada da rua e uma forma, embora indireta, de participar na vida da cidade. Bem instaladas e protegidas pela sombra as senhoras observavam tudo o que se passava nas ruas, no entanto, sem serem vistas.



Se estiverem em Córdoba em finais de abril ou em maio não podem deixar de fazer o circuito dos pátios floridos de Córdoba.


terça-feira, 21 de novembro de 2017

Mesquita - Catedral de Córdoba






Sobre este monumento muito se poderá escrever, pois a sua rica e vasta história dá assunto que chegue para muitos livros e daqueles com muitas páginas. Por isso vou limitar-me a uma breve introdução histórica, apenas para contextualizar o monumento em si porque o que se vê é tão impactante que as palavras quase que deixam de ser necessárias. Alerto que as fotos não fazem jus à realidade por isso… façam as malas, rumem até Córdoba e vejam esta obra de arte com os vossos próprios olhos.

O que visitar em Córdoba


O centro histórico de Córdoba foi declarado, em 1994, Património da Humanidade pela Unesco e depois de se percorrer a cidade compreende-se porquê. Ficam as imagens e algumas estórias dos locais mais emblemáticos de Córdoba.

Puente Viejo ou Puente Romano 
Mandada construir pelo Imperador romano Augusto fazia parte da Via Augusta (uma estrada romana, com cerca de 1500Km de comprimento que atravessava a Hispânia até Cádiz, seguindo o contorno da costa mediterrânica). Uma construção imponente com 331 metros e 16 arcos, dos quais, apenas dois são originais. Os seguidores da série “A Guerra dos Tronos” (5ª temporada), reconhecerão esta ponte nas cenas passadas na “Ponte de Volantis”.



Córdoba a cidade dos Califas

Córdoba foi o destino final de uma viagem de carro pelos “Pueblos Blancos” da Andaluzia. Desta vez não existia um roteiro e optámos por ir descobrindo a cidade. Uma boa decisão. Pela primeira vez, também, decidimos aderir a um Tour a pé pela cidade, daqueles gratuitos (embora, no final sempre se dê uma gratificação) conduzidos por guias certificados https://owaytours.com

Muitas cidades europeias já oferecem este tipo de visitas e pela experiência em Córdoba, acho que vale a pena. A nossa guia, Lídia, uma andaluza de gema, soube estar à altura do desafio. Com um imenso talento e conhecimento soube contar as estórias da história da cidade de tal forma que quem a ouvia vivia os acontecimentos como se lá estivesse. (Já fui guia turística e sei o quanto se tem de percorrer para se atingir este patamar, por isso, nota máxima à Lídia!).

Assim, com as histórias do passado visitámos a Córdoba do presente e vimos como a cidade evoluiu ao longo dos séculos, assimilando as diferentes culturas dos muitos povos que por lá passaram e deixaram a sua marca.


domingo, 23 de julho de 2017

A mais alta solidão do João Garcia


Desta vez arrumei as mochilas, organizei um kit de sobrevivência radical e acompanhei João Garcia na sua grande aventura, a escalada do Monte Everest. Bem sentada no sofá, senti o frio da montanha, o vento furioso a embater na tenda, o ar rarefeito a ferir os pulmões, o esforço hercúleo da subida, o “já falta pouco, só mais uns metros” que parecem quilómetros..

A vontade de ir até ao limite “…seja ele onde for…” (in prefácio de Miguel sousa Tavares), poderia bem ser o subtítulo deste livro.

Ir até ao limite é sempre uma viagem solitária porque tudo tem a ver com nós próprios e com a compreensão das nossas limitações. E foi na “mais alta solidão” que João Garcia foi sempre um pouco mais além até atingir o cume de uma mais altas montanhas do mundo.

Um livro que nos leva numa viagem emocionante e que a mim, particularmente, me levou a querer conhecer e saber mais sobre a conquista do Everest.

Recomendo!





quinta-feira, 13 de julho de 2017

Islândia a Terra de Fogo e de Gelo (III)

A partir de fevereiro a Islãndia começa a receber milhares de turistas, expetantes e curiosos, que de carro, autocarro, mota, ou de autocaravana percorrem as estreitas estradas nacionais e os locais assinalados como imperdíveis. Nos meses de verão (islândes), entre maio e junho, considerados época alta, o movimento tem aumentado de tal forma que o governo da Islândia pondera aumentar as taxas turísticas e limitar o número de visitantes em determinados sítios. Por termos ido em março, o tempo incerto não era propício a viagens de barco para fotografar as baleias e os Puffins, os pequenos papagaios do mar mas, em contrapartida, assistimos a um dos mais fantásticos espetáculos que a natureza nos pode oferecer, a aurora boreal, o que já não seria possível se fossemos no verão



E, foi tudo a ganhar pois, apesar de haver já muitos turistas, havia sempre tempo e espaço para usufruir do que a Islândia tem para nos oferecer. Ahh... e ainda consegui uma foto de um Puffin, embora não propriamente no seu habitat natural.


O nosso fantástico guia, Vitor Costa, (desta vez optámos por ir num pequeno grupo numa expedição fotográfica) experiente nestas andanças, organizou a viagem de forma a andarmos em sentido contrário ao das enchentes. E assim, lá íamos conseguindo tirar as nossas fotos com mais calma e sem muita gente... (às vezes)! E estes foram os momentos!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Islândia a Terra de Fogo e de Gelo (II)


Este é o segundo artigo sobre a Islândia e outros virão. O intuito não é traçar nenhum roteiro mas, tão somente, partilhar um pouco do que vi e por onde andei. E estes foram os meus momentos.




Começo pela capital da Islândia  Reykjavík, que significa "baía fumegante"É a cidade mais setentrional da Europa onde no inverno os dias duram 4 horas e no verão não há noite. É aqui nesta Baía que tudo acontece. Reykjavik é centro político, económico, social e cultural do país e alberga um terço da população. Uma cidade cosmopolita q.b. com muitas lojas, restaurantes e bares sempre cheios. Aliás, para o jantar convém marcar mesa...




Passeando pelo centro da cidade encontramos exemplos da arquitetura tradicional islandesa. Casas de um ou dois pisos pintadas de cores alegres e telhados inclinados.

domingo, 30 de abril de 2017

Islândia a Terra de Fogo e de Gelo (I)

São pouco mais de 100 mil quilómetros quadrados de vulcões, muitos ainda ativos, glaciares, lagos gelados, campos de lava, planaltos de areia, planícies de erva rasteira e arbustos, geysers, praias de areia preta, spas geotermais ao ar livre, icebergs, montanhas e auroras boreais. 




Cerca de 330 mil habitantes, dois terços só na capital, Reikyavik, habitam um território maior que Portugal Continental. O resto é paisagem…Sim! Mas é a Islândia!

sábado, 18 de março de 2017

Vulcões da Europa - O ETNA



O mais alto vulcão da Europa, com cerca de 3.200 metros de altura tem a provecta idade de 2,5 milhões de anos, tempo suficiente para ter adormecido ou ter ficado extinto. Mas quis a natureza que o ETNA, apelidado de Montanha de Fogo pelos povos antigos, continuasse bem vivo ao longo dos tempos. Situa-se na parte oriental da ilha da Sícila (Itália) entre Messina e Catânia e é o 5ª vulcão mais ativo da Europa.



sexta-feira, 17 de março de 2017

St. Patrick's Day



A Irlanda e os Irlandeses espalhados pelo mundo comemoram a 17 de março o dia do seu santo padroeiro St. Patrick que, por sinal não era irlandês mas sim galês. 



Patrick cujo nome de batismo era Maewyn, foi sequestrado por piratas aos 16 anos e levado para a Irlanda onde passou cerca de 16 anos como pastor. Conseguiu fugir para Inglaterra e depois de uma vida atribulada converteu-se ao cristianismo e adotou o nome de Patrick. Anos mais tarde regressou à Irlanda como missionário e dedicou o resto a sua vida a converter a população celta à religião cristã ficando o seu nome para sempre associado à Irlanda.

Neste dia o verde é a cor nacional simbolizando as colinas verdes da Irlanda, a ilha Esmeralda. Curiosamente esta tradição não nasceu na Irlanda mas sim nos Estados Unidos entre a comunidade irlandesa que para ali imigrou, se estabeleceu e que ainda hoje mantém vivas as suas raízes. A grande catedral católica de Nova Iorque é dedicada a St. Patrick.

São muitos milhões os americanos com origens irlandesas e um pouco por todo o país o dia de St. Patrick é celebrado com grandes festas e desfiles. Em Nova Iorque, em honra à comunidade irlandesa neste dia o Empire State Building ilumina-se verde.


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O trevo de quatro folhas – “Shamrock” – é o simbolo destas festividades. Irlandês que se preze usa um ao peito e no final da festa, para ter sorte e encontrar o pote de ouro, tem de o deixar cair para dentro do seu último copo de cerveja, uma Guiness, claro. São muitos os copos, ou melhor os litros, de Guiness servidos neste dia e os brindes fazem-se aos gritos. “Sláinte”, palavra gaélica para “saúde” é a palavra que mais se ouve.



Por isso SLÁINTE para todos que tenho ali uma Guiness bem fresquinha à minha espera!



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Dürnstein


Mais uma cidadezinha surpresa! A meio caminho entre Krems e Melk, no lindíssimo Vale de Wachau do Rio Danúbio, (Baixa Austria) situa-se a minúscula cidade de Dürnstein. Uma pequena localidade guardada pelas ruinas de um castelo, com ruas empedradas e casas encaixadas nas encostas rochosas sobranceiras às vinhas cultivadas nas margens do rio.







Um cenário bem bonito que não deixou indiferente o realizador Ernst Marischka que aqui filmou parte da série de filmes sobre a vida da Imperatriz Sissi. Não admira, porque se hoje é assim, há 60 anos atrás ainda devia ser mais bonita.