quinta-feira, 11 de junho de 2015

Saint Malo "A cidade dos Corsários"


Partimos de Saint Émilion ao princípio da tarde. A viagem de mais de 600 Km correu muito bem, aliás, este é um ponto a salientar nesta nossa aventura. Quem pensar fazer uma viagem de carro, por França, pode esperar uma condução tranquila e segura, boas estradas e respeito por parte dos outros condutores. Chegámos ao nosso destino já de noite e a receção, no que iria ser o nosso poiso durante 3 noites, "Aux Feès des Grèves", foi mais que calorosa. Apesar de, geograficamente estarmos já na Normandia tudo ali era bretão, desde os brasões da casa, ao proprietário que tinha um "je ne sais quoi" de Astérix e Obélix.


De muitos outros personagens míticos está a Bretanha povoada. Tudo nesta região alimenta a nossa imaginação e para quem acredita num mundo mágico pode fazer um tour pelo Bosque de Paimpont, parte do outrora Bosque de Brocéliande de Merlin, da fada Morgana e do Rei Artur. Pode ir a Cornouailles assistir ao fim trágico de Tristão e Isolda. Fugir de Ankou o seguidor de almas ou, tentar obter um vislumbre de Avalon a ilha misteriosa.

Da Bretanha acabámos por eleger Saint Malo a cidade dos corsários. Lendária pela sua história, lutou para ser independente, chegando mesmo, no século XVI, a auto proclamar-se uma república. 

O que fica na nossa memória depois de visitar Saint Malo? A fantástica vista do porto e das praias, o passeio pelas muralhas e os seus edifícios. E a sua história? Uma autêntica epopeia. Refugio de piratas no século XVI, foi dali que partiu a armada de Jacques Cartier para a descoberta do Canadá e foi dali que partiram os primeiros colonos das ilhas Malvinas, na Argentina. Aliás, o nome das ilhas deriva do nome dado aos naturais de Saint Malo, "Malouins". 




A cidade muralhada, outrora reduto invencível de corsários, não resistiu aos bombardeamentos dos alemães que,durante a segunda guerra mundial, a reduziram a cinzas. Atualmente, Saint Malo parece aquilo que era graças a um plano rigoroso de reconstrução e reabilitação. Os prédios caíram mas a alma da cidade não... e isso sente-se quando percorremos as suas ruas.






O Hotel France Chateaubriand, situado na praça principal tem um charme de Belle Époque e um espírito balnear convidativo. 


Saint Malo cheira a mar, aquele cheiro de maresia típico das férias de verão, apesar de ainda faltarem alguns meses.



 
Terminámos o dia com uma vista ao Aquário de Saint Malo. Da forma como é publicitado criámos grandes expetativas mas, quem tem um Oceanário em Lisboa....



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Saint Émilion, entre as vinhas e a história.




Já conta a história que o vinho nasceu antes da escrita. Mas estórias à parte, tenha sido Noé a plantar a primeira vinha do mundo, ou o vinho tenha surgido por um fruto do acaso, neste caso, o da videira, o facto é que os egípcios, gregos, romanos, e muitos outros, por aí em diante, deram bom uso a essa prática e o mundo ganhou uma arte.
A região de Bordéus tem uma das maiores áreas de cultivo de vinhos do mundo e, tudo começou em Saint Émilion, uma pequena povoação, a 40 Kms a Este de Bordéus. 
Primeiro os romanos, “sem vinho não há soldados” já dizia um general, depois os monges, foram estes os grandes responsáveis por esta região ser hoje uma zona vinícola de origem controlada do vinho de Bordéus e por Saint Émilion ser considerada Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO.
A povoação de Saint Émilion é referida em todos os roteiros turísticos, pelas suas vinhas e, também, pela sua história que remonta ao século II com a ocupação romana. Ganhou o nome de um monge, Émilion, que aqui se refugiou e, onde mais tarde, os seus seguidores construíram um mosteiro dedicando-se à produção e ao comércio de vinho.


De outrora, ficou uma vila de ar medieval, bem conservada, erguida nas encostas de uma colina e rodeada de vinhedos a perder de vista.



As suas ruas estreitas e íngremes acompanham as casas de pedra que, devido à sua cor ocre, assumem uma cor dourada ao final da tarde, hora preferida dos fotógrafos para tentar captar a aura mística que, dizem, emana da povoação. 









A torre da igreja monolítica, do século XI, totalmente escavada na rocha e esculpida em pedra calcária, sobressai na paisagem, como que a assinalar a importância de Saint-Émilion na região e a sua posição destacada no ranking dos melhores vinhos franceses.


Saint-Émilion tem mais de 900 vinhas, e alguns dos seus “chateaux” (casas produtoras de vinho, não propriamente castelos) encontram os seus vinhos classificados numa lista oficial como vinhos “grand cru” e “prémier cru” (os melhores entre os melhores).




Depois de darmos umas voltas pela vila, fizemos um pequeno tour num comboio turístico e percorremos os principais "chateaux". Muito interessante e recomendo. Acabámos a visita a Saint Émilion com chave de ouro, a degustar um Grand Cru acompanhado por um queijo francês.



Links para saber um pouco mais sobre a região de Aquitaine:




terça-feira, 2 de junho de 2015

Baía de Arcachon, um lago no Atlântico



E por aqui continuámos o nosso passeio. De manhã cedo saímos de Bordéus em direção à costa. Apesar do percurso estar mais ou menos delineado, conforme íamos percorrendo a zona da Baía, as surpresas eram tantas que acabámos por nos deixar ir um pouco à deriva, o que se revelou uma ótima ideia. Descobrimos um pequeno porto "oistreiócole" que valeu pelos Kms a mais que andámos. Passeámos pela cidade de Arcachon, local de veraneio, que teve a sua época áurea nos anos 50 e cujas casas ainda mostram o glamour desses tempos. O mercado da cidade adotou o novo conceito de juntar no mesmo espaço bancas de venda e restaurantes o que aqui resultou muito bem. Gostei do que vi....

Mas o ponto alto deste passeio à beira mar foi, sem dúvida a

BAÍA DE ARCACHON


A Baía de Arcachon, fica 60 Kms a oeste de Bordéus. Com mais de 80 Kms de praias, bancos de areia e dunas, a baía forma um grande lago alimentado pelo oceano atlântico e pelos rios que ali vão desaguar. Em parte, encontra-se protegida do oceano por um cordão de dunas, Cap Ferret, Duna du Pylat, e o Banc d'Arguin, este último reserva natural.
(Imagem retirada do site https://es.wikipedia.org.)

No meio da baía, a Ilha dos Pássaros, rodeada pelos postes de madeira utilizados para a recolha de ostras e pelas cabanas tchanquées (construções palafiticas, de madeira, usadas pelos pescadores para guardar os utensílios da pesca), oferece uma visão assaz invulgar.
(Imagens retiradas do site www.terresbasques.com)  

Duna du Pylat, a maior duna de areia da Europa, tem perto de 110m de altura, percorre a costa em 2.500m e a sua base tem cerca de 500m, variando sua morfologia consoante os ventos. 

(Imagem retirada do site http://pt.wikipedia.org/)


Depois de subir a longa escadaria até ao topo a paisagem é impressionante:


De um lado, a Forêt des Landes (floresta ou bosque das Landas da Gasconha)... 

do outro lado as águas da baía.

É também o sítio ideal para desportos de "inverno".

A economia da baía assenta, sobretudo na oistreicultura, criação de ostras, sendo este o molusco mais consumido nesta região. Numa das fotos, em primeiro plano aparecem as estacas em madeira usadas para a criação de ostras.



Links para saber um pouco mais sobre a região de Aquitaine:
http://www.france.fr/pt/regioes-e-metropoles/bordeus-capital-mundial-do-vinho.HTML
http://www.bordeaux.com/fr
http://www.arcachon.com/flaner_sortir_bouger.HTML
http://www.saint-emilion-tourisme.com/