domingo, 31 de maio de 2015

Bordéus, uma agradável surpresa.





Saímos de Espanha e cerca de 200Km mais tarde entrávamos na capital da região da Aquitaine, Bordéus. E a cidade foi, definitivamente, uma agradável surpresa. A cidade escura, com ruas sombrias e bairros degradados pertence ao passado. Bordéus foi reabilitada, a grande avenida ao longo do rio foi ampliada e modernizada, os magníficos edifícios com fachadas do século XVII foram restaurados,  o centro histórico está em obras de recuperação e a margem esquerda do rio Garonne, é agora um longo passeio e zona de lazer. Considerada pela Unesco como "local de arquitetura excecional e envolvente", Bordéus é mesmo assim, envolvente, uma cidade onde se tem a sensação que não nos importaríamos de lá viver.

Quem gosta de história tem muito que ver e aprender, quem aprecia a boa mesa, está no sítio certo, com a variadíssima oferta gastronómica, restaurantes com estrelas Michelin e os seus conhecidos vinhos. Quem gosta de passear, de carro ou através de um circuito turístico, pode ir até à costa, às praias da Baía de Arcachon ou, percorrer a região vinícola com os vinhedos centenários, e aí degustar os famosos vinhos bordaleses.

Quanto a nós, conseguimos de tudo um pouco, andámos por Bordéus, fomos até à costa, subimos à Dune du Pilat, visitámos o mercado em Arcachon, almoçámos num pequeno restaurante num porto "Ostréicole" (apanha de ostras) e em Saint Émilion, conhecida internacionalmente, pelos seus vinhos, bebemos um "grand cru" acompanhado por um "camembert" gratinado.

E foi assim, esta segunda etapa, rumo à Normandia.

Em BORDÉUS:

O passeio ao longo do rio une a antiga zona portuária com o centro histórico e é local de lazer obrigatório, principalmente com bom tempo. Os velhos armazéns no Quai des Marques são agora restaurantes e bares e as lojas de marca funcionam como outlet, muito procurado pelos preços praticados.
(Um pequeno acidente de percurso não permitiu colocar uma fotografia da minha autoria. Socorri-me do site http://fr.bordeaux-tourisme.com/).


A Place de Bourse, construída no século VXIII, é uma das bonitas praças da cidade e os edifícios à sua volta são uma autêntica mostra da arquitetura dessa época.



Em frente à Place de Bourse o maior Espelho d' Água do mundo. O magnífico impacto visual é originado pela fina camada de água que cobre os seus 3.400m2  de diâmetro.



Autêntico parque de recreio para adultos e crianças. Em dias de calor, não há quem resista molhar os pés.



Panorama da grande avenida ao longo do rio Garonne, ponto de encontro para momentos de descontração.



Para conhecer os locais indicados nos guias turísticos e os mais importantes da cidade nada como fazê-lo a pé. Mas, aproveitar os percursos do metro de superfície leva-nos a conhecer uma outra cidade, a do dia a dia dos seus habitantes.


Mandada construir por Napoleão, a Pont de Pierre (Ponte de Pedra) é uma das imagens mais conhecidas de Bordéus. Como curiosidade, o número de arcos da ponte é igual ao número de letras que formam o nome de Bonaparte Napoleão.


Uma das ruas (já reabilitada) do velho centro histórico da cidade. Depois da grande caminhada à beira rio, soube bem entrar na frescura destas ruas, sentir o cheiro de comida acabada de fazer, misturada com o odor de humidade dos prédios antigos e com um muito subtil aroma doce, que, disseram-me, é característico de uma planta que cresce na floresta des Landes, a 60 Km de distância e que se sente praticamente por toda a cidade.


Dicas Práticas: 

Nas cidades tentamos, sempre, escolher um alojamento situado relativamente perto do centro e no caso de se ir de carro, ter estacionamento perto e gratuito, ou de custo (muito) reduzido. A nossa opção em Bordéus: http://www.grenadine-bordeaux.com/




Para saber um pouco mais sobre a região de Aquitaine. Vale a pena navegar por aqui:


http://www.france.fr/pt/regioes-e-metropoles/bordeus-capital-mundial-do-vinho.HTML
http://www.bordeaux.com/fr
http://www.arcachon.com/flaner_sortir_bouger.HTML
http://www.saint-emilion-tourisme.com/







quarta-feira, 27 de maio de 2015

Cantos e Recantos... de Marvão!


Do castelo de Marvão sabe-se da beleza das paisagens que se avistam das suas ameias, da brancura das suas casas e das flores nas janelas. Sabe-se das suas calçadas de pedra a relembrar os tempos antigos das lutas entre os lusitanos e os exércitos romanos.

Da vila sabe-se da velha ponte que liga as duas terras vizinhas, Marvão e Portagem. Ponte à qual faltou sempre uma pedra para nunca ser acabada, pois, reza a lenda, se isso acontecer o diabo vem ficar com as almas dos homens da terra.

Do rio sabe-se o bem que sabe o fresco das suas águas nos dias do calor alentejano.

Da comida sabe-se que sabe bem.

De Marvão, sabe-se que vale a pena lá ir!











domingo, 24 de maio de 2015

País Basco







Na fronteira de Espanha com França, entre a cadeia montanhosa dos Pirinéus e o golfo da Biscaia, a região autónoma do País Basco não passa despercebida. Continuamos em Espanha, mas aos poucos vamos-nos apercebendo de algo diferente. A paisagem toda ela é de um verde compacto, apenas quebrado pelo branco de algumas casas espalhadas nas encostas das montanhas. Por onde passamos sente-se e respira-se uma identidade muito própria que os bascos fazem questão de mostrar. A ocuparem este território há mais de 4 mil anos o povo basco tem conseguido manter a maior parte da sua herança cultural marcada sobretudo por um forte orgulho pátrio e pelo seu próprio idioma.

"Um basco não é espanhol nem francês, é um basco." - by Victor Hugo, escritor francês (1802-1885).

A língua basca, "Euskara", completamente indecifrável para ouvidos estranhos, cuja origem ainda não se conseguiu traçar, não tem semelhança com qualquer outra língua conhecida. Mas é este estranho idioma que define o Euskadi (País Basco), a terra onde se fala o Euskara e onde os bascos se chamam a si próprios Euskaldum, ou seja, aqueles que falam Euskara

"A língua basca é o desespero dos eruditos e a mais misteriosa de todas as línguas conhecidas", by Aldous Huxley, escritor inglês (1894-1963)

 Não fosse a tradução em castelhano...

(Reduza a velocidade com chuva) - será??

Das três capitais do País Basco - Bilbau, San Sebastian, Vitória-Gasteiz - visitámos apenas as duas primeiras.



De Bilbau ficaram, a visita ao Museu mais emblemático, atrevo-me a dizer, de Espanha e uns fabulosos bocadillos na Taberna de Los Mundos. O mau tempo e a chuva forte não permitiram, infelizmente, o passeio tal como planeado, pelo centro histórico.
O Museu Guggenheim, projetado por Frank Gehry, inserido num amplo projeto de revitalização da cidade, voltou a colocar Bilbau no mapa. Logo no primeiro ano, o número de visitantes superou as expetativas e anualmente é um dos museus mais visitados de Espanha. 

O próprio edifício, em si, é uma autêntica obra de arte e quando o olhamos pela primeira vez compreendemos porquê.

Não conseguimos deixar de admirar esta magnífica obra e de nos surpreender com as subtis mudanças de tonalidade que a sua superfície ondulante e totalmente coberta por placas de titânio adquire, consoante a incidência da luz do dia.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cantos e Recantos...de Piodão!


"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura..."
by Alberto Caeiro, in Guardador de Rebanhos" Poema VII (excerto)









domingo, 17 de maio de 2015

Rumo à Normandia

Partimos de uma praia com destino a outra praia, esta em França, na Normandia. Foram 8 dias e mais de 4.000 Kms para cumprir o nosso propósito e "desembarcar" não por mar, mas por terra, num dos locais onde as tropas aliadas decidiram o rumo da 2ª Grande Guerra. Até lá chegar muito houve para ver e por onde andar e tentámos que os nossos dias, apesar das distâncias a percorrer, fossem bem aproveitados. Como em tudo, tivemos de fazer algumas concessões mas o que se fez compensou, em parte, o que ficou para trás e para uma próxima viagem.


POR ONDE PASSÁMOS:



Cada local visitado reclama e merece um espaço só seu e de facto pareceu-nos que seria melhor dedicar um apontamento a cada um, pois só assim, se poderia fazer sobressair o que de melhor e único esses lugares têm para oferecer.

Organizar o roteiro fotográfico deste passeio, escolher entre todas fotografias as imagens que melhor pudessem transmitir aquilo que estávamos a ver naquele momento, não foi, de todo, uma tarefa fácil. Mas lá que foi muito bom recordar e tornar a fazer esta viagem, ainda que pelo papel, lá isso foi.

Vamos ter muito para mostrar e contar nas próximas publicações... num blog perto de si!

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Pelas ruas de Barcelona

À beira do Mediterrâneo a cidade capital da Catalunha, Barcelona, dá a quem a visita um pouco de tudo, cultura, arquitetura, gastronomia, animação, espetáculos e muito mais a quem souber procurar. Desde o Templo Expiativo da Sagrada Família, aos museus de Miró e Picasso, à "movida" das Ramblas, às compras no Passeio de Gracia, às visitas obrigatórias do Palácio da Música Catalã, à presença irreal das Casas Batló e Milá (La Pedrera) até ao El Gotic (Bairro Gótico) onde a cidade começou e onde se reinventa.


A tradição ainda é o que era e o "Ramblejar" - andar para cima e para baixo nas ramblas ainda é obrigatório e visita a Barcelona que se preze inclui fazer este passeio mais que uma vez. O percurso, que liga a Praça Cataluña a Port Vell está tão recheado de pormenores e há tantos detalhes a descobrir que cada vez que se sobe ou desce Las Ramblas é sempre um momento único.


Rambla dels Caputxins onde se pode ver o famoso Mosaic de Juan Miró

 Rambla de Sant Josep ou Rambla de les Flors devido às bancas de flores que enchem de cor esta parte do passeio. 

Nesta zona das Ramblas encontramos o mercado mais famoso e mais visitado da cidade, Mercat de la Boqueria. A organização e decoração das suas bancas são um autêntico festim para os nossos olhos (e não só)!




A Rambla de Santa Mónica é o canto dos artistas de rua, dos retratistas e pintores. Quem gosta de arte avant-garde pode visitar o Centro d´Arte Santa Mónica num antigo convento.

Cólon o fiel guardador das Ramblas


Voltamos a subir e a meio das ramblas enveredámos pelo Barri Gòtic.(bairro gótico). Nas suas ruas estreitas encontramos ruínas romanas, onde aliás funciona o Museu de História de Barcelona, temos um Catedral gótica do Séc. XV e edifícios que nos mostram a evolução da cidade ao longo dos tempos.



Catedral de Barcelona. cuja construção data do século XV mas a sua história remonta aos tempos em que era uma basílica paleo-cristã.


A leste do Bairri Gotic fica o Bairri de La Ribera o bairro medieval da cidade conhecido pelos barceloneses como El Bom, devido a uma feira local que se realiza desde o século XIX, agora um dos sítios mais em voga e na moda com lojas de griffe, bares e restaurantes. 

Nesta zona situam-se 3 locais imperdíveis.


Palau de la Musica Catalana perfeito exemplo da arquitetura modernista é um dos mais belos edifícios da cidade e considerado Património Mundial da Humanidade. Conta-se que no tempo do General Franco, numa das suas visitas para assistir a um concerto, a assistência se levantou a cantar o hino catalão, que nessa altura tinha sido proibido, como forma de mostrar a sua identidade e independência. Toda a gente da plateia foi, então, presa por tal manifestação contra o regime.


La Basílica de Santa Maria del Mar ou Catredal do Mar foi o templo dos armadores e dos mercadores de Barcelona. É a unica igreja construida em estilo gótico catalão puro.

A construção desta igreja serviu de tema para o livro de Ildefonso Falcones que nos leva, nas suas páginas, a uma viagem bem real ao que era Barcelona na idade média. Interessante é percorrer os locais onde os personagens do livro se movem, vivenciando no presente a vida de Arnau, o homem que nasceu servo e se tornou barão.

O passeio terminou na grande avenida encimada pelo arco do triunfo catalão.

Terminar... não foi bem assim. Depois de ramblejar mais um pouco ainda houve tempo para apanhar um solinho à beira mar.



domingo, 10 de maio de 2015

A Barcelona de Gaudi


Barcelona é, sem dúvida, uma cidade do "Modernismo" e falar de Barcelona e de modernismo é falar de Gaudí. Perante o espetáculo art noveau que nos envolve, de todos os edifícios modernistas da cidade, sobressaem as criações de Antoni Gaudí i Cornet, o mais genial e conhecido arquiteto catalão. 

À obra de Gaudí aplica-se o velho ditado “primeiro estranha-se e depois entranha-se” e de facto, o seu estilo único, imaginativo, visionário e as suas estranhas construções, depressa, nos cativam. As estruturas complexas com fachadas ondulantes, sem uma única linha reta, transmitem uma sensação de movimento contínuo que se prolonga em todo o conjunto. As formas fantásticas, os motivos esculturais, decorativos e os adereços evocam seres vivos e a natureza. Gaudí foi, alíás, apelidado de "arquiteto de natureza". 

Casa Milà ou La Pedrera é um edifício de apartamentos, construído nos primeiros anos do século XX, a pedido da família Milà, com o requisito expresso que fosse algo que fizesse a diferença. Desenhada por Gaudí, cumpriu essa exigência e ainda foi um pouco mais além levando a que a apelidassem de La Pedrera devido à sua aparência invulgar. De realçar as esculturas em ferro forjado que ornamentam os balcões fazendo lembrar algas marinhas.

"No hay líneas rectas o curvas cerradas en la naturaleza. Por lo tanto, los edificios no deben tener líneas rectas o curvas cerradas." 



Casa Batló, (Património Mundial da Humanidade pela Unesco) construida inicialmente em 1875, foi reformada por Gaudí nos primeiros anos de 1900. Este edifício é também conhecido por "Casa de las máscaras" ou "Casa de los huesos" (ossos) devido a alguns elementos decorativos que evocam máscaras de carnaval e caveiras. A fachada ondulada está decorada com fragmentos de cerâmica e vidro coloridos (trencadis - técnica muito usada por Gaudí).




"La arquitectura es la ordenación de la luz; la escultura es el juego de la luz." 



Templo Expiatório da Sagrada Família, também conhecido simplesmente como Sagrada Família, é considerado, por muitos, como a obra prima de Gaudí e o expoente da arquitetura modernista catalã. Financiada apenas por contribuições privadas, a construção da Sagrada Família foi assumida por Gaudí,em 1883, quando este tinha apenas 31 anos de idade, tendo sido o seu projeto de vida durante 40 anos. A sua construção dura há mais de 100 anos e não se prevê que esteja acabada antes de 2026 (ano do centenário da morte de Gaudí). No seu interior, numa das suas capelas, ao pé da estátua de Maria está sepultado o seu arquiteto.

O templo da Sagrada Família depois de concluído não será mais alto que a montanha de Montjuic, " porque la obra del hombre no debe ser superior a la obra de Dios".  

"Para hacer las cosas bien es necesario: primero, el amor, segundo, la técnica"

Inicialmente pensado para ser uma zona residencial de luxo o Parque Guell acabou por ser mais um local onde Gaudí faz acontecer magia. 15 hectares de vegetação, onde em cada recanto encontramos imagens, símbolos, esculturas, todos eles representações de um universo fantástico.

"Todo lo creado por el ser humano ya está en el gran libro de la naturaleza"





Nota: Todas as citações em itálico são da autoria de Antoni Gaudi i Cornet.